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segunda-feira, 28 de novembro de 2011







"Feche os olhos agora e respire fundo" 
 Tudo dentro dela ecoou
 Mas ela não se dirigiu aos ouvidos
 Então, nada dentro dela escutou

sábado, 17 de setembro de 2011

OCEANO POSSÍVEL

Embora ninguém percebesse era um dia emocionalmente difícil para ela. Mais um entre tantos que estavam seguindo aquela semana. Ela tentara consigo mesma compreender um pouco do que estava se passando, mas alguém dentro dela se recusava a traçar qualquer diálogo sobre o assunto. Tentou escrever sobre, mas o cérebro não  lhe permitiu exprimir uma única linha. Havia um bloqueio intransponível que impedia o contato entre as suas sinapses e as emoções.

Ela conhecia a causa, mas não sabia explicar o porquê.

 O tempo escapulia com os fios de gelo cortante que o vento frio soprava sobre seus cabelos. O corpo leve carregava há horas os passos chumbados de alguém que segue em frente com dificuldade. Ela não estava em casa e não sentia-se deslocada. Aquele era o espaço ideal pra suas fragmentações emocionais. Uma espécie de terapia.

Percorreu quadro a quadro, imagem por imagem. Tudo que chegava até sua retina diminuía aos poucos o fardo das pegadas. A confusão interna cedia lugar para inquietações universais, perspectivas diferentes, formas incomuns de enxergar o que ela, até aquele momento, visualizava por outro ângulo. 

Conversas e risadas descontraídas com alguém que a acompanhava, hora ou outra interrompia a carga de seriedade dos seus pensamentos. Aquilo mais do que necessário, era essencial para pausar o fluxo da sensação amarga que a atingia como um pêndulo. Ainda que reconhecesse o quanto isso ajudava, ela carregava a culpa de saber que toda a universalidade até agora vista, não obstante pessoal, só a distanciava do momento em que ela, mesmo com dificuldade, deveria alcançar o cerne de sua aflição.  O gosto acrimonioso impregnava seus sentidos em minutos entremeares quando num determinado instante de intervalo seus ouvidos captaram uma frase pronunciada ao longe: 

“Há sempre um copo de mar para um homem navegar”.

O anuncio brotou de uma sonoridade distante, como se fora um presságio. Ela seguiu as ondas sonoras das palavras com movimentos lentos, a alma sedenta, mas pouco crédula. Alguém em algum lugar conseguira amortecer suas sensações ocres. Aquela frase exprimia tudo o que ela não sabia que precisava ouvir.

 “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”.

 “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”.

 “Há sempre um copo de mar para um homem navegar”.

Aos poucos o som se tornava mais nítido e a frase repetia-se em canto constante.  A voz era feminina, conseguira detectar com clareza.  
Menos de um segundo  depois e sua perspectiva opaca mirava a fonte de tais pronuncias. A audição se tornou sutilmente afetada enquanto sua pupila diminuía de tamanho para regar a visão com a maior quantidade de nitidez luminosa. As imagens perante seus olhos se movimentavam exibindo uma moça despida. Nua!
E antes que ela mesma se perguntasse o motivo, seus olhos neurais lhe responderam que aquela nudez representava a virgindade do corpo perante o mundo. 

“Há sempre um copo de mar para um homem navegar”

Sim, embora seus olhos fossem mais vivos que seus ouvidos, ela ainda escutava o som e as palavras ondulavam seu estado emocional.
A moça nua enquadrada na tela mexia-se em um cenário simples e comum, exceto pela presença de baldes e bacias preenchendo o todo que a margeava. A moça estava sentada no chão e lentamente se molhava.  Ela mesma se enxergava na moça e a moça era ela e ela era moça que se banhava com água pura. A água que vinha de vários recipientes... 

Era uma água límpida. Água de panela, bacia, balde, corpo. Água de alma. Água de mar!

Água de quem se encontra na terra tão desconectada, tão farta e seca da areia, do pó fino impregnado n a pele rejeitosa, que mal consegue ver onde pisa. Água que lava o corpo de quem carrega nas vestes os resquícios da ventania, tempestuosa travessia de “daqui não sei mais...”. Água gelada e serena de quem sedenta se senta e não reconhece, mas com dificuldade percebe:

         Há                      Um copo                          Para um                                   Navegar

                       Sempre                             De mar                                 Homem


  



                                                       Sara Ramo (Madri, Espanha, 1975)
 Oceano Possível, 2002
Video digital, cor e som
Coleção: Galeria Fortes Vilaça

"Há sempre um copo de mar/ para um homem navegar" (Jorge de Lima). "Nestes versos, as palavras empregadas são do cotidiano, a rima é comum, e a sintaxe não poderia ser mais simples. Entretanto, são dois versos generosos para a imaginação" (Comentário de Raduan Nassar, Cadernos de Literatura Brasileira, nº2. São Paulo: Instituto Moreira Salles, p.24). Assim também sugere o trabalho de Sara Ramo: feito de objetos do cotidiano, num ambiente doméstico, e que, articulados pel artista, ganham uma densidade de extrema generosidade. Oceano Possível surge não só como uma constatação levemente melancólica dos desenganos desta nossa época pós-utópica, mas também como signo da descoberta de brechas dentro de dimensões prosaicas das experiências que habitam essa mesma época. Brechas nas quais é possível inserir pequenas transformaações, indicando um tempo presente pulsante, pronto para ser ativado.






sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Estou depositando aqui as sobras de palavras que restaram de um ímpeto de coragem.
Há tantas coisas que eu queria escrever aqui nesse espaço
Mas a insegurança me deixa sempre um abraço.

Saio para entrar em cena o vazio...

Um dia eu deixo de sufocar tudo e passo a dizer o tanto...
Um dia...
Quando o que eu disser sobre o todo
Tiver deixado de ser tão sobre mim.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

    É notável como Macapá tem se tornado um espaço cada vez mais diversificado para discussões, produções e abordagens culturais. Um terreno fértil para experimentações de cunho social com ligação para os diferentes níveis de nossa realidade.
   Tal qual como sabemos, essa função de investigação sensível só se enquadra nas práticas cotidianas proporcionadas pela atividade artística. Assim, venho aqui nessa nota introdutória, manifestar minha alegria e satisfação ao ver as artes visuais nativas ganhando força com expressões de cunho mais contemporâneo, e quando digo isso não me refiro só à técnica, mas também ao teor substancial dos trabalhos.
   Fico feliz de ver a fotografia, o vídeo, a performance e a instalação dividindo um território cada vez mais amplo coma pintura local; notar assuntos menos pertinentes e já recursivos na arte cedendo lugar para as problemáticas do nosso entorno e que também são globais, em muitos aspectos.  
     Mas, antes de isso aqui virar um artigo chato sobre artes visuais (rs,rs,rs) vou partir para  o assunto principal: noticiar  a exposição que me fez parar para refletir sobre essas questões.

Segue release:


 Exposição "Demarcações" na Galeria de Artes do SESC Amapá



No dia 5 de agosto às 19h a galeria de artes Antônio Munhoz Lopes do SESC abrirá suas portas para receber a exposição - Demarcações - do grupo Imazônia. Trata-se de uma exposição de caráter instalativo com linhas de pesquisa na ecoarte, os trabalhos são feitos com lixo das ruas e também domésticos. 



O grupo Imazônia levanta uma problemática ecológica com relações sociais, especialmente das ressacas: um ecossistema rico e único, que vem se apagando com o crescimento populacional metropolitano. A exposição – Demarcações – aborda sobre as habitações populares das áreas alagadas e ribeirinhas da Amazônia. Demarcações em espaços irregulares e ocupações “desordenadas” presentes nas paisagens urbanas. São instalações no solo e nas paredes como miniaturas das casas.

A exposição ocorrerá de 5 a 28 de agosto, de segunda a sexta-feira no horário de 8 às 12h e 14 às 18h com visitas monitoradas. 





O grupo Imazônia é formado por:Ronne Dias, Adalto, Jorron, Izaías Brito e Mapige.
Vernissage:
Data: 05/08/11
Local: Galeria Antônio Munhoz
Horário: 19 h
Musica ao vivo!


Mais informações: 3241-4440 / Ramal 257 ou 81226410






terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ela olhava a foto
E a foto era tudo que ela tinha naquele momento
E a foto era o olhar, era o cheiro, era o calor
A foto era humana!
Cada detalhe de luz parecia diminuir a saudade...
Ela olhava a foto e tudo remetia ao fato.
Um fotograma, apenas
Mas era a presença, era o toque, era o sussurro
A foto era a palavra.
Tudo o que ela tão mais queria estava ali naquele enquadramento digital.
Deu foco a foto
Acarinhou, beijou
Abraçou a foto com o olhar...
Tocou com os dedos a imagem, margeou os contornos.
Ela sentia o que a foto transmitia
A foto recebia o fluxo de energia

Já não havia tempo
O coração palpitava
Nada que de concreto exisitisse

Mataria sua saudade


quarta-feira, 8 de junho de 2011

SESC AMAZÔNIA DAS ARTES CIRCUITO 2011 - ARTES VISUAIS

EXPOSIÇÃO "DENTRO DA MATA" - PINTURAS DE MIGUEL PENHA (MT)

Mata verde, óleo sobre tela 100 cm x 200 cm - 2011

Árvores, cachoeiras, rios, fauna e flora da Chapada dos Guimarães do cerrado brasileiro são os assuntos desenvolvidos pelo pintor Miguel Penha, nascido em Cuiabá Mato Grosso, que estará em Macapá para a realização da Exposição “Dentro da Mata” na Galeria de Artes do SESC Amapá, Antônio Munhoz Lopes.
            Miguel Penha chega á capital amapaense onde permanecerá no período de 7 a11 de junho, por intermédio do Projeto SESC Amazônia das Artes 2011. Durante os dias em ficará no estado, o artista realizará a montagem da exposição, participará de seu vernissage e ministrará uma oficina de pintura para o público local.
            O Projeto SESC Amazônia das Artes foi criado há três anos em atenção às necessidades específicas por um melhor desenvolvimento no campo artístico da região da Amazônia Legal. Assim, realiza anualmente um intercâmbio cultural nas linguagens: música, artes cênicas e artes visuais, entre os estados envolvidos nessa área geográfica.
O objetivo primordial do projeto é criar um diálogo permanente com a sociedade através da arte, cultura e cidadania.
             “Dentro da Mata” permanecerá na Galeria Antônio Munhoz de 10 a 30 de junho de 2011, disponível para a visitação pública nos horários de 8 às 12h e 14 às 18h. Em cada tela que compõe a exposição, o artista Miguel Penha instaura um clima absolutamente mágico, no qual o uso da luz e as gamas de verdes ganham destaque como recursos técnicos da pintura para ressaltar a criação de um mundo em que a natureza é a vedete.


INFORMAÇÕES:

Exposição “Dentro da Mata”
Local: Galeria Antônio Munhoz Lopes
Endereço: Rua Jovino Dinoá, 4311 – Beirol (Centro de Atividades do Araxá)
Período: de 10 a 30 de junho
Horário: de 8 às 12h e 14 às 18h (De segunda a sexta)
Vernissage: 10/06/11 às 19 h

Oficina “Pintura Dentro da Mata”
Ministrante: Miguel Penha (MT)
Local: Casa da Cultura
Endereço: Rua Jovino Dinoá, 4311 – Beirol (Centro de Atividades do Araxá)
Data: 9 de junho
Horário: de 9 às 12h
GRATUITA

CONTATOS:
Telefone: (96) 3241-4440 ramal 257


OBRAS DE MIGUEL PENHA (MT)

Caminho na mata, 150 cm x 150 cm - 2011

Jasmim azul, 90cm x 90 cm - 2010







quinta-feira, 26 de maio de 2011

EXPOSIÇÃO DO GRUPO JUÇARA NO CENTRO CULTURAL FRANCO-AMAPAENSE



O SESC Amapá, em parceria com o Centro Cultural Franco-Amapaense realiza a 2º mostra da Exposição Juçara, com trabalhos de Carla Marinho (AP), Cristiana Nogueira (RJ), Ghazia Brito (AP), Rosiane Olivia (AP), Jonata Lacerda (PA), Maria José (PB) e Ire Peixe (AP).
A exposição, que esteve na Galeria Antônio Munhoz Lopes do SESC/AP durante o mês de março, segue para o hall expositivo do Centro Cultural Franco-Amapaense dando continuidade ao seu objetivo primordial de divulgar a produção visual feminina do Estado. São fotografias, pinturas e desenhos que abordam temáticas variadas: identidade, violência contra a mulher, descoberta do corpo, tempo, abstração e natureza.
O grupo Juçara surgiu em 2006 por artistas mulheres preocupadas em fomentar a cultura no Estado. Uma das características de formação do grupo é permitir a livre participação de artistas em quaisquer modalidades das artes visuais, que através de suas expressividades diversificadas discutem questões estéticas, sociais, políticas e culturais.

Período: 27/05/11 a 30/08/11
Local: Centro de Cultura Franco Amapaense
Vernissage: 27/05/11 às 19h30min.
Maiores informações pelo telefone: (96) 3241- 4440/ R- 257 (Falar com Aline Pacheco – Técnica de Artes Visuais)